Sem você aqui, primavera sem flor

Ele me olha com olhos de “obrigada por existir”, às vezes eu nem sei como retribuir. Outro dia ele contou que me observou muito até deixar com que os olhares se cruzassem. Sei lá porque este menino se apaixonou por mim, mas sei exatamente porque ele é a pessoa em quem eu penso antes de dormir.

Tornamos-nos amigos. Depois melhores amigos. Eu já o sentia como uma extensão de mim e para o amor acontecer de fato, bastou com que num silêncio profundo entre uma de nossas conversas – aliás, conversamos tanto que até o silêncio é raridade, ele disse: “Sim, é isso mesmo, você já sabe de tudo.” Confesso que não entendi absolutamente nada. Uma frase sem contexto interrompendo o silêncio quase mortal. Só consegui responder, “é, eu sei mesmo de tudo”, mesmo sem ter idéia do que significava o “tudo” para ele. O silêncio se tornou ainda mais torturador, até que ele disse “então você já sabe que eu amo você, que a vida é um tédio sem a sua companhia e que eu quero você comigo hoje, amanhã, semana que vem, no ano que vem, até o fim da minha vida.” Olhei atônica, emocionada, feliz e chorosa, mas tive a certeza de que eu o correspondia.

Ele me entende sem que eu precise falar uma palavra, meus olhos dizem muito mais e ele lê atenciosamente. Sei exatamente o que ele está pensando só pelo modo como o seu rosto se expressa. Adoro o modo como nos conhecemos tão bem. O modo como o beijo tem sintonia. Como os corpos se encaixam. O seu abraço, que muitas vezes parece que irá me esmagar. Adoro o modo como ele me apóia, me incentiva e se orgulha de mim na faculdade. Admiro a sua coragem, a dedicação e a sua inteligência.

Desde que começamos a faculdade reduzimos o nosso tempo juntos, mas conseguimos definir que as sextas a noite são sagradamente nossas e que os sábados, pelo menos a noite, também.

Quando saio da aula de sociologia, a última de sexta-feira, ele sempre está me esperando com um sorriso que parece ficar cada vez lindo. Ontem fiquei observando-o enquanto ele dirigia e conversava comigo. Contou-me todo orgulhoso que o seu chefe lhe nomeou gerente de um projeto importante lá na empresa, mas não me pergunte o quê porque nunca consigo assimilar muito bem essas coisas da Tecnologia da Informação.

Eu o olhei fixamente enquanto ele dirigia e quando ele percebeu, ficou sem graça e perguntou o que eu estava pensando. E eu estava pensando em tantas coisas! Em como a vida foi louca, mudei tudo em um ano, agora estou com alguém que aprendi a admirar, a respeitar, a amar e sei que são sentimentos recíprocos e que estar ali com ele, faz valer a penas toda a semana paulera que eu tive. Ele respondeu: “Pequena, não solta a minha mão.” Essa frase tem um significado importante pra nós. Nem o “eu te amo” talvez seja tão profundo quanto essa nossa frase especial. Aliás, já disse que adoro quando ele me chama de pequena?
Chegamos e ele subiu comigo para o meu apartamento. Acho interessante o quanto e como ele traz alegria para a minha casa. Jantamos rapidinho juntos. Minha vontade era de agarrá-lo e não soltar nunca mais. Agora reparei que o cheiro dele ficou em mim. Ele se tornou mais do que namorado, mas realmente o meu melhor amigo e uma extensão de mim. Não nos vemos tanto quanto gostaríamos, mas eu sei que ele existe, que eu o amo, que ele me ama. Que a sexta-feira chegará e ele estará lá me esperando de novo. E que daqui a pouco já será sábado à noite e ele volta pra perto de mim.

Às vezes penso em como seria triste perdê-lo, embora eu não o possua. Somos absolutamente livres para viver e pensar, ter personalidade, sonhos e desejos próprios, eu adoro o jeito como organizamos o nosso namoro e acho que é por isso que dá tão certo: continuamos a sermos nós mesmos, as pessoas por quem nos apaixonamos.

E eu só quero do fundo do meu coração, que sempre exista amor para recomeçar.
Que não nos falte motivos para sorrir. Que eu ria dele e para ele. De mim e para a vida.

Sorrio em olhos e lábios, a felicidade por amá-lo é enorme. Não solta a minha mão!

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