Marketing Político – um mercado em expansão

Texto: Lieda Gomes e Rafael Barros

Ser jornalista nos proporciona uma das coisas mais legais do mundo: conhecer pessoas. Na noite do dia 8 de maio, a faculdade ESAMC Campinas promoveu a palestra “Marketing Político: bom pra quem?”, ministrada por Paulo Morais.

Paulo de Tarso Morais é profissional de marketing político desde 1988 e atualmente é um dos coordenadores da campanha à Presidência da República de Aécio Neves, candidato do PSDB. Tem experiência na elaboração de mais de trinta campanhas, nacionais, estaduais e municipais.

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Paulo de Tarso Morais – Foto: Valdecir Saraiva

O Marketing Político, segundo Paulo, é a aplicação de ferramentas em uma campanha eleitoral. A Pesquisa possibilita conhecer a realidade e as necessidades das pessoas, os Estudos Sociais elaboram um diagnóstico profundo e com embasamento histórico, enquanto a Comunicação produz o horário gratuito nos meios de comunicação, materiais promocionais visuais e de conteúdo.

O desafio maior do profissional de marketing político é se reinventar a cada campanha, tornando-a cada vez mais humanizada e moderna, porque o brasileiro quer mudanças, seja nos discursos, seja na prática de governo.

Nós, os jornalistas Lieda Gomes e Rafael Barros, conversamos com o Paulo sobre o mercado de trabalho e curiosidades do marketing político, para o Jornal da ESAMC, e vamos compartilhar essa experiência agora com você também.

 

Jornal da ESAMC: Qual o cenário atual do mercado de trabalho na área de Marketing Político?
Paulo Morais: É um mercado com atividade sazonal, pois as eleições são de dois em dois anos. O momento mais aquecido é no período eleitoral, mas o profissional de marketing político pode atuar também na comunicação dos partidos. E há uma tendência de que as eleições aconteçam a cada cinco anos, sendo assim, todos os cargos serão votados em uma única eleição, então serão muitas campanhas e terá trabalho para muita gente.

J.E: Mas, então, se o candidato foi eleito, o trabalho do marketing político não continua?
Paulo: Às vezes sim, mas a dificuldade é que a partir do momento que ele se torna um administrador público, para contratar algum serviço precisa de licitação. Apesar de obrigatórias, as licitações para a comunicação são uma grande bobagem, pois a licitação serve para que o governo faça algo de maior qualidade pelo menor preço possível. No entanto, em comunicação não existe a possibilidade de ter menor preço, já que muitos valores são tabelados.

J.E: Durante a palestra o senhor afirmou que o Marketing Político é importante para a consolidação da democracia. Afinal, ele é bom pra quem?
Paulo: O marketing político aproxima o político da sociedade. A democracia para existir e ser bem sucedida precisa que pessoas estejam bem informadas e saibam em quem estão votando. Sendo assim, o marketing político ajuda a estabelecer uma conexão de informações do político para a sociedade e vice-versa. Quem está sintonizado governa melhor.

 

“A democracia para existir e ser bem sucedida precisa que pessoas estejam bem informadas e saibam em quem estão votando.”

 

J.E: Se realidade e as necessidades da sociedade são importantes, é interessante lembrar que 2014 é um ano atípico no Brasil: Copa do Mundo e Eleições. De modo geral, a Copa divide opiniões da população. Como o marketing político pretende se beneficiar disso?
Paulo: A campanha da Dilma, por exemplo, tentará se beneficiar da Copa, criando uma sensação de um país que está realizando o evento mais importante do mundo. Por outro lado, a oposição vai destacar o que o governo não fez. O benefício maior é no conceito do país. Em Copas anteriores só víamos imagens bonitas dos países e isso acontecerá agora para o exterior.

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Paulo apresenta o marketing político – Foto: Valdecir Saraiva

J.E: Sabemos que a mídia internacional veiculou alguns guias de “sobrevivência” no Brasil, bem como reportagens enfatizando os pontos críticos da realização da Copa. Então, a mídia internacional vai beneficiar a oposição?
Paulo: Na verdade, sempre que os estrangeiros chegam ao Brasil eles acham que é muito melhor do que eles imaginavam, porque as informações que eles têm do país lá fora são muito precárias. Acredito que, de modo geral, essas veiculações não beneficie a oposição, já que no exterior o Brasil terá uma imagem positiva.

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