Feliz dia das mães

Sem título

Eu nunca tive a sensação de que a minha mãe era perfeita. Começo esse texto com essa afirmação porque já falei isso para algumas pessoas e elas se espantaram muito, mas foi minha mãe quem me fez acreditar nela como um ser humano. Minha mãe nunca me disse, mas demonstrou várias vezes nesses quase 24 anos juntas que é preciso respeitar as pessoas como elas são, que as pessoas são únicas e que podem nos ferir de vez em quando, embora na maioria do tempo nos faça muito feliz. Como seres humanos que somos, nos magoamos algumas vezes, mesmo querendo fazer o bem, mesmo querendo fazer feliz e não sabendo como.

Me fazer entender que a vida é construída de momentos felizes e de algumas tristezas, necessárias para nos conhecermos e nos colocarmos no lugar do outro, foi fundamental para eu que entendesse que a vida é muito mais do que eu via no Orkut e do que eu podia viver dentro de casa.

Minha mãe trabalha com a vida e a morte há muitos anos, há muito mais tempo do que tenho de vida, e isso a fez uma pessoa realista. Não a vi desesperar com frequência diante de alguns problemas, mas a vi em dúvida e pude ler em seus olhos que por mais que não soubesse o que deveria ser feito, ela sabia que algo precisava ser feito e sempre fez. Minha mãe veio para a “cidade grande” quando começou a vida adulta e com a idade que tenho hoje já tinha uma filha de quase dois anos. Ela foi corajosa e enfrentou a vida, foi encontrando caminhos para me criar e para sermos felizes. Outro dia li uma frase, no Facebook de uma amiga, que define o que aprendi com a minha mãe diante de desafios: “A gente sempre encontra um caminho, ou um caminho nos encontra”.

As melhores lembranças que tenho da minha mãe foram de momentos em que ela me respeitou, não apenas como filha, mas como um ser humano que descobrindo a vida precisava errar muitas vezes para encontrar um caminho. Tenho uma personalidade independente e minha mãe sempre incentivou muito isso. Com doze anos eu comecei a viajar sozinha nas férias para a casa de parentes e isso foi uma das melhores coisas que minha mãe fez por mim, principalmente porque tive certeza de sua confiança. Conheci muitas pessoas, lugares e culturas viajando sozinha, ou mesmo com amigos, nesses anos. Sempre tive o amparo da minha mãe e a alegria de ter uma casa para onde voltar e contar todas as histórias.

Ser livre para ser, pensar, viajar e ser feliz desenvolveu em mim uma independência emocional que às vezes magoa. Minha mãe me ensinou que o mundo era muito mais do que eu conseguia enxergar e eu quero ir cada vez mais longe com a certeza de que tenho um abraço para onde voltar.

Hoje escrevi no Facebook que não romantizo as relações, nem mesmo com a minha mãe, e não porque sou uma filha rebelde ou porque não a amo, mas por que quero que ela continue sendo, como eu, muito imperfeita aos olhos da sociedade, mas cheia de coragem e amor no peito. Minha mãe me criou sozinha. Casou-se. Me encorajou a conhecer a vida. Encontrou um amor que a faz completa, contrariou as regras sociais e foi atrás de sua felicidade. Chorou. Se magoou. Sorriu por diversas vezes também. Entendi sua coragem e a admiro muito. Quando crescer quero ser como a minha mãe: sem nenhuma pretensão de ser perfeita, de responder a expectativas e muito corajosa. Afinal, “a gente sempre encontra um caminho, ou um caminho nos encontra”.

A vida acontece para que possamos entender quem somos nesse mundo, perfeitos para errar, cair, levantar e continuar. Se eu fosse uma filha perfeita e visse um ser divino e intocável em minha mãe, não teria aprendido tanto sobre a vida com ela.

Mãe, feliz dia das mães! Eu te amo muito.

Estou muito feliz por estarmos juntas de novo.

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