Dirigir: a arte do autoconhecimento

Que ironia da vida. Eu que outrora declarei aos sete ventos que não existia nada mais chato nesse mundo do que dirigir, me vejo hoje adorando a sensação de liberdade (e a liberdade em si) que guiar um carro nos dá.

Algumas vezes, principalmente quando estou sozinha no carro, a tentação de ir para algum lugar calmo sem avisar ninguém e só voltar quando estiver tudo bem, é muito grande.

Dirigir, principalmente quando estou sozinha, é pra mim a arte da paciência. Entrar em contato com o mundo que existe fora de mim, prestar a atenção em todos os seus detalhes, saber tomar as decisões certas nas horas necessárias e mais do que tudo isso, entrar em contato com o meu interior.

Estou alí, eu e eu. Um mundo ao meu redor mas esse é o meu momento sozinha. É quando percebo também que estou mesmo sozinha não só no carro, mas em muitas outras coisas da vida. É quando vejo que eu também preciso de atenção. Que gosto de ter alguém em quem pensar algumas vezes durante o dia. Percebo o vazio quase eterno que algumas coisas me causaram e que dificilmente serão preenchidos novamente nessa vida.

E o principal e mais assustador às vezes: Não importa o quanto eu me importe. Algumas pessoas simplesmente não se importam. Não importa se eu dirijo sorrindo, cantarolando ou aos prantos quase morrendo de tanto chorar, o mundo não vai parar para eu viver minhas alegrias ou concertar as feridas no coração. Se estou bem ou não tanto faz, mas preciso seguir em frente. O mundo lá fora não vai parar nem por um segundo. Nem por mim. Nem por você. Nem por ninguém.

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