Correspondente de Assuntos Militares

Progressão - eu tentando sobreviver

A convite da Escola de Comando e Estado-Maior do Exécito (ECEME) e a faculdade onde curso jornalismo, ESAMC, participei do Estágio de Correspondente de Assuntos Militares (ECAM) entre os dias 21 e 27 de outubro. Gostaria de ter feito esse post antes, mas como vocês sabem meus últimos meses divididos entre cuidar do meu avô, frequentar a faculdade e trabalhar foram bastante corridos.

O estágio da ECEME teve atividades na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPECEx), no 28º Batalhão de Infantaria Leve e na cidade de Jaguariúna, localizada há aproximadamente 30km de Campinas.

As atividades, que acontecem a cada dois anos em Campinas, proporcionaram conhecimentos básicos sobre o papel da mídia em situações de conflito e ensinaram a importância de saber se posicionar para garantir uma boa cobertura jornalística dos fatos, prezando, sobretudo, pela segurança física do jornalista.

Atividades teóricas
Na EsPECEx o grupo de estudante de jornalismo, formado por alunos das faculdades ESAMC, UNIP e PUC de Campinas, participou de dois dias intensos de palestras. Dentre os temas estavam uma apresentação do trabalho do Exército Brasileiro (EB), atuações do EB em ajuda humanitária, Tratados e acordos internacionais de direito internacional humanitário e de conflitos, a atuação da mulher no EB, entre outros temas.

DSCN8327 - Cópia DSCN8337

Atividades práticas
Após todo o conhecimento teórico, no terceiro e quarto dia de ECAM nós, alunos, tivemos a oportunidade de viver um pouco das dificuldades de um correspondente de assuntos militares em dois dias, novamente intensos, no 28º BIL. Afinal, não basta ter uma boa redação ou ter sensibilidade para capturar a melhor imagem, o jornalista que trabalha em parceria com o Exército Brasileiro precisa estar preparado para transpor obstáculos e, muitas vezes, superar seus próprios limites. Sentindo na pele a adrenalina que essa cobertura jornalística pode proporcionar, participamos de rapel e tirolesa. Até agora nem sei como não desmaiei no rapel, mas no final eu adorei a experiência.

Além dos esportes de aventura, vivenciamos a realidade da profissão numa atividade de progressão, que simulava invasão militar em uma comunidade, com todos os equipamentos necessário e ainda com o desafio de conseguir elaborar uma matéria sobre o fato. Vocês podem ter certeza de que um colete de 8kg mesa uns 800kg quando você precisa correr e arrastar no mato, sem se esquecer de que precisa gravar tudo para que ter imagens na sua matéria. Aliás, essa estudante que voz fala “morreu” no tiroteio. Não dei conta de finalizar a invasão, precisei ser socorrida e percebi que preciso muito levar a academia a sério! rs.

Outra atividade muito legal foi a demonstração de tiros e bombas. Numa sequência de tiros pudemos ver o “estrago” que cada arma e calibre provoca, além de aprender um pouco mais sobre bombas e sprays. Para aprender a utilizar com agilidade e corretamente as máscaras de gás lacrimogênio, tivemos instruções e depois usamos a máscara numa contêiner onde foi acionada uma bomba. Aprendi a respirar direitinho com a máquina, assim não sofri com os efeitos do gás e fiquei super confiante na sua eficiência.
DSCN8451 Progressão - eu tentando sobreviver Exercício com a máscara de gás  DSCN8472

TEORIA 03

Ração operacional

Se já não bastasse toda a aventura vivida, almoçamos a famosa “ração humana”, formalmente conhecida por ração operacional, que os militares comem quando estão acampados ou em local com outros recursos para cozinhar. A descrição do cardápio é de encher os olhos, a aparência da comida é bastante decepcionante e o gosto, achei pior ainda. Comi, ou melhor, tentei comer, um macarrão com legumes e salsicha.

Preparando a ração operacional A aparência nada bonita da ração operacional

Primeiros socorros
Para finalizar as atividades no 28º BIL, participamos de uma instrução de primeiros socorros muito legal. É incrível como o EB leva a sério todas as simulações e na de primeiros socorros não foi diferente. Entramos na mata e conforme íamos andando nos deparávamos com diversas situações, como um soldado que levou um tiro de fuzil, algum que foi picado por um cobra, soldado que pisou em alguma bomba, fratura exposta, entre outras, e em cada situação um médico do Exército nos explicava quais procedimentos iniciais deveriam ser feitos para socorrer a vítima.

Primeiros Socorros - Soldado atingido por bomba Primeiros Socorros - O que restou da perna do soldado atingido por bomba

Entrevistas
Outra atuação do jornalista em situação de conflito são as entrevistas. Sendo assim, no quinto dia de curso do ECAM tivemos a oportunidade de participar de uma coletiva de imprensa com alunos da ECEME, que estudaram uma situação de conflito hipotética elaborando soluções para ela. Nós, os alunos de jornalismo participantes do ECAM, o entrevistamos sobre essa mesma situação hipotética, questionando diversos pontos, como a ajuda humanitária que seria oferecida, as violações de direitos humanos, utilização de instalações civis, etc. A coletiva aconteceu no Hotel Nacional Inn, em Campinas, e foi uma experiência muito legal, porque o clima estava muito tenso, tanto para nós, jornalistas, quanto para os representantes do Exército, já que todas as atividades acontecem com muita seriedade e realismo.

Na manhã seguinte fomos até a cidade de Jaguariúna para conhecer o terreno do conflito hipotético e entrevistar individualmente alguns militares da ECEME. Foram abordados aspectos gerais do Exército Brasileiro, como a escolha pela carreira militar, o desenvolvimento da carreira e, quando entrevistamos militares estrangeiros de nação-amiga, questionamos também a atuação do Exército em seu país.

Parece fácil, mas entrevistar é sempre um desafio, já que por mais que o jornalista esteja preparado, existem fontes que falam bastante facilitando o desenvolvimento da entrevista e também fonte que é extremamente sucinta. No entanto, no caso das entrevistas realizadas no ECAM, como elas também fazem parte do curso dos militares da ECEME, as conversas foram muito produtivas.

Entrevista individual em Jaguariúna Entrevista individual em Jaguariúna

Encerramento

No primeiro dia de curso fomos orientados a nos dividirmos em grupos que produzissem materiais jornalísticos impressos, virtuais e de televisão. Sendo assim, no sexto e último dia de curso cada grupo apresentou o trabalho desenvolvido, mostrando diferentes percepções de um mesmo evento.

Ainda no encerramento assistimos a uma palestra da jornalista Luciana Viegas, da EPTV Campinas, filiada a Rede Globo, que junto a sua equipe de produção e edição contou detalhes da matéria especial gravada no Haiti após o terremoto de 2012. A jornalista ressaltou as dificuldades para produção da matéria, bem como a realidade que a equipe encontra atrás das câmeras. O diretor da EPTV, Ciro Porto, também dividiu experiências com os alunos do ECAM.

Palestrantes da EPTV

Foram seis dias muito cansativos, mas de grande aprendizado e oportunidade de conhecer futuros colegas de profissão, consolidando networking. Conheci pessoas maravilhosas da PUC e da UNIP, além dos oficiais que nos acompanharam durante todo o curso.

Gostaria de agradecer todos os militares da EsPECEx, do 28º BIL e do terreno de Jaguariúna, onde tinham soldados de diversas cidades da região de Campinas dando apoio ao Estágio de Correspondente em Assuntos Militares. Meus agradecimentos também ao coronel Harryson, tenente Ricardo e à major Alessandra, pela atenção e conhecimentos compartilhados.

O ECAM acontece em seis dias para estudantes de jornalismo, mas no Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB) há um curso para profissionais que dura duas semanas e é muito, mas muito mais hard. Se eu quiser cobrir situações de conflito, preciso mesmo criar preparo físico.

Dicas de Saiba Mais
Separei alguns links onde são encontradas mais informações de tudo o que rolou no ECAM Campinas 2015.

Turma toda no 28º BIL

 

 

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